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07-01-2016
Só unidade vence crise, diz Calixto

Dirigente com décadas de experiência, cauteloso e preciso, José Calixto Ramos vê a situação com apreensão. O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), além de criticar os ataques do capital a direitos trabalhistas e à organização sindical, aponta como de “muita gravidade” a desarmonia entre os Poderes. Esta é a terceira entrevista em que a Agência Sindical ouve presidentes das Centrais sobre conjuntura e perspectivas.


“Viajo o País e vejo as pessoas muito preocupadas com a recessão e a questão política”, diz. Para o dirigente da NCST, “o centro da crise está no Estado brasileiro, porque, em que pese a independência necessária, estamos vendo um clima de grave desarmonia entre os Poderes”. Essa disputa gera instabilidade e contamina os agentes econômicos.


Calixto prega “um esforço nacional de superação da crise política, para que os empresários sintam segurança jurídica e voltem a investir, aquecendo a economia e gerando empregos”. Parte do empresariado, ele crê, defende a ordem institucional e recebe bem a ideia de atuar com o sindicalismo. Prova isso o “Compromisso pelo Desenvolvimento”, que une Centrais, Dieese e entidades do setor produtivo. “A Nova Central abre mão de eventual posição individual para apoiar iniciativas e documentos de consenso”, assevera.


Surpresa - Na condição de quem vivenciou muitas crises, José Calixto Ramos mostra surpresa ante a onda de denúncias. “A atual crise não tem precedentes, porque os desvios atingem muitas das principais empresas e as denúncias de abusos chegam a mais pessoas próximas ao poder”, comenta o sindicalista que não apoia o impeachment da presidente Dilma, mas diz: “tantos desvios nos deixam estarrecidos”.


Segundo o presidente da Nova Central, é um avanço a MP obtida junto a Dilma, no final do ano, alterando critérios em acordos de leniência. Porém, não deixa de registrar que, “mesmo assim, não se tem notícia de que uma dessas empresas contratou obra nova ou conclui alguma antiga”. Isso, ele ressalta, atinge duramente o trabalhador. “O desemprego cresce, em todos os setores”, constata.


Unidade - Além do horizonte econômico, o dirigente da Nova Central mira o Legislativo. E chama atenção: “O grosso do Congresso pende para o capital e tende a apoiar projetos lesivos aos trabalhadores. É o caso do fim do imposto sindical, objeto de dois projetos diferentes, na Câmara e no Senado”. Como enfrentar os ataques? “Nossa força está na unidade. Não podemos vacilar e nos dividir”, alerta.


Otimismo - Ao lembrar que “o País já viveu situações piores”, o veterano dirigente pede que não se dobre ao pessimismo. “Em eventos Brasil afora, levo sempre mensagem de esperança. Sempre digo que devemos ter objetivos e andar pra frente”, conta. José Calixto Ramos também faz um apelo “às cabeças pensantes, que não são poucas”, a fim de que formulem um projeto nacional. “Não é projeto pra este ou aquele governo. A tarefa é construir um projeto nacional, que uma e nos faça ir adiante”, ressalva.


Reformas - Calixto critica a postura do governo. Ele diz: “O sindicalismo consumiu 2015 cuidando de evitar demissões e de manter as finanças e serviços das entidades. O governo desconsidera esse sufoco e nem vira o ano volta a falar de reforma da Previdência e trabalhista. É muita falta de sensibilidade e mesmo de respeito”.

fonte: http://www.cnti.org.br/